Segunda-feira, 17 de Outubro de 2005

A mulher do metro de Picoas....

Metro_Picoas.jpg

Todos os dias lá estava. Sempre que iniciava a subida daqueles degraus os seus olhos não deixavam de a fixar.
Depois quando se aproximava fazia como as outras pessoas, passava ao lado como se a mulher não existisse.
Mas sentia aquele sentimento de «vergonha» colectiva, por ela também fazer parte daquela multidão de gente insensível.
Quase todas as manhãs espiava os olhos tristes daquela mulher, o lenço na cabeça, o casaco de malha creme (quer fizesse calor ou frio), a mão estendida com um copo de plástico e umas parcas moedas lá dentro (que ela desconfiava que era a própria mulher que lá as colocava, para que fosse o móbil da vergonha de todas as pessoas que não paravam).
Quantas vezes depois de chegar ao escritório, não lhe vinham à memória a «senhora do metro de Picoas». Qual seria a sua história??? Que histórias contariam aqueles olhos tão tristes?
Interrogou-se sobre o que a teria feito reparar na «mulher do metro de Picoas», talvez fosse o casaco creme que ela usava e que teimava em apertá-lo na gola (quer fizesse frio ou calor), como se fosse uma protecção, ou o seu lençol da vergonha.
Ou os olhos.
Imaginou mil histórias para a« mulher do metro de Picoas». Histórias que justificassem o seu olhar triste. Sozinha no mundo, filhos lá longe em França, um marido alcoólico, os filhos que se metiam na droga.
Talvez uma tragédia familiar.
Amanhã…amanhã iria se sentar no degrau junto á «mulher do metro de Picoas». Iria colocar uma nota no copo de plástico. E iria saber a sua história.
Amanhã…
Quando chegou o amanhã, subiu as escadas do metro de Picoas, viu a «mulher», o casaco creme, a mão estendida com o copo, a mão que apertava o casaco no pescoço e o olhar triste…
Mas estava com pressa, lembrou-se que tinha uma «reunião» interna, mais uma com um cliente fora do escritório e na hora do almoço tinha a depilação, a tarde também era curta…. Voltou a cabeça para o outro lado e aproveitou a multidão para se perder novamente na «vergonha» colectiva de «que quem não vê não sente»……

@ Gostaria de vos dizer que esta senhora existe, se passarem pelo Metro de Picoas, ela está lá sentada num degrau, com o seu casaco, o seu copo e aquele olhar infindávelmente triste e de animal acoçado...
Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 01:30

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