Quinta-feira, 10 de Novembro de 2005

De um só fôlego... (penultimo capitulo)

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Capitulo V

A Maria João tinha acabado de sair. Estava a fechar a porta e ainda a pensar naquela ideia absurda de ela ter sugerido um encontro a quatro com o Miguel. Apeteceu-lhe esganá-la. Estendeu-se em cima da cama e deixou-se levar pelos pensamentos.
Fechou os olhos e voou para um estado de inconsciência onde, por mais estranho que parecesse, ela … era ELA.
As coisas eram muito simples. Tinha o Paulo de um lado, e o Miguel do outro. Visualizou o que de mais básico há em termos de ponderação. Uma balança. E por incrível que parecesse, a balança pesava para o lado do desconhecido.
Ela sorriu. Que pena não ser como a irmã. Agora estaria a levantar-se e a bater à porta do Miguel, com um sorriso na cara e com a maior lata diria: «-Miguel estava a pensar se não queria tomar um cafezinho comigo?».
A irmã tem a mania de repetir aquela frase: «-Arrepende-te de algo que fizeste e nunca de algo que gostarias de ter feito.».
Só agora ela se apercebia do verdadeiro sentido daquela frase.
Fez um esforço para sair daquele estado de «coma» voluntário e do torpor que tinha tomado conta, não só da sua mente, como do seu corpo. Tinha que se levantar, tinha uns assuntos inadiáveis e urgentes para tratar e depois tinha que ir buscar as crianças à escola.
Vestiu o casaco, pegou nas chaves do carro e na mala. Confirmou duas vezes se tinha tudo e abriu a porta de casa.
Quase se estatelou no chão tal foi o susto que apanhou. O Miguel estava plantado na porta, com um sorriso de orelha a orelha. Raios, pensou ela…parece que tudo acontece na ombreira desta porta!!!!
E foi quando o ouviu a perguntar: «- Olá Ana, acabei mesmo agora de fazer um café. Por acaso, não quer tomar um comigo?».
Teve alguns problemas em entender a pergunta. E depois uma voz respondeu: «- Claro Miguel. Olhe, tem piada, ia agora sair para tomar um cafezinho.» .
Nem queria acreditar que aquela voz era dela!!!
O café estava óptimo e falaram durante algum tempo. Depois, ele levantou-se, acendeu a luz de um abajour, regulando a intensidade da mesma para que esta brincasse com as sombras na parede (estava novamente a chover e tinha escurecido apesar de ser apenas 4 horas da tarde) e colocou uma música suave.
Depois sentou-se ao seu lado, retirou-lhe a chávena da mão e fixou-a longamente.
Apesar de se considerar uma pessoa tímida e raramente conseguir suportar um olhar, para estupefacção dela própria, retribuiu e segurou aquele olhar. Uma espécie de hipnose, como se o olhar substituísse os cinco sentidos…Um estranho calor tomou conta dela e sentiu-se a enrubescer.
Ele deve ter notado porque sorriu e levantou a mão até alcançar um caracol que teimava em lhe cair para a cara, e brincou distraidamente com ele.
Foi como se aquele gesto lhe provocasse uma descarga eléctrica. Levantou-se como se fosse impulsionada por uma mola. Ele também se levantou surpreso.
E agora era ele que tinha enrubescido: «- Desculpe Ana. Não sei o que se passa comigo». Ela balbuciou qualquer coisa “que tinha que ir”.
Voltou as costas e saiu apressadamente. Não apanhou o elevador. Estava a demorar muito, e o risco do Miguel aparecer à porta era grande. Por isso iniciou a longa descida dos patamares da escada.
Mas a meio, a frase da irmã começou a martelar-lhe a cabeça. Que raio, pensou, que se lixe a Ana boazinha, a Ana que não arrisca, a Ana sem sabor….que se lixe!!!
Galgou os patamares que tinha descido. E, novamente na ombreira da porta, onde tudo acontecia, estava o Miguel à sua espera.
Lembrava-se dos beijos que a incendiaram, do cheiro dele e especialmente das mãos que a percorreram e a descobriam. Da sofreguidão com que se deleitara com cada toque. Um instinto quase animal apoderou-se deles. O tempo parou, esqueceram-se do mundo. Uma tarde Outonal de puro êxtase. Um momento de vida em que o silêncio se instalou e, «DE UM SÓ FÔLEGO», a entrega foi total.
Não!!!…Não se arrependia do que tinha feito!!! A realidade era outra e ela sabia que, assim que saísse da casa do Miguel, a rotina da sua vida se iria restabelecer.
Estava preparada (por mais estranho que parecesse) para os sentimentos de culpa que a assolariam quando voltasse a encarar o Paulo. E, ainda mais, porque não se conseguia decidir sobre que rumo dar à sua vida e à relação com o Paulo.
Mas não estava preparada para o dia seguinte. Para o dia em que tinha decidido falar com o Miguel, explicar que aquela tarde não poderia significar muito. Que tinha sido uma loucura, um momento. A única loucura que tinha tido coragem de cometer em muitos anos. Que não se arrependia de nada. Mas que antes de se envolver com alguma pessoa, necessitava de resolver a sua vida e especialmente organizar todos os pensamentos que lhe passavam na cabeça. Que o que tinha acontecido a tinha feito sentir-se desejada e apreciada. Que a tinha feito recordar-se da mulher que fora e, acima de tudo, da mulher que era.
Ela estava preparada para tudo. Mas não para o dia seguinte quando, parada na ombreira da porta do apartamento do Miguel, tocou á campainha ….

(continua)

@ PrincesaVirtual
Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 10:55

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3 comentários:
De Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 17:02
Essa cabecinha não pára!!!Gosteiinconfidente
(http://inconfidencias.blogs.sapo.pt)
(mailto:inconfidencias@sapo.pt)
De Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 15:23
Pois tenho a dizer que fui, com este capítulo, colocado à beira do abismo!!! A questão é: dou um passo em frente (e vamos todos recolher os destroços lá abaixo ao desfildeiro) ou, numa manobra espectacular só ao alcance dos dotados de bons e flexíveis rins, safo-me do abismo e recoloco cada coisinha no seu lugar? A ver vamos, Alteza. Apertem-se os cintos de segurança que o destino é incerto, e o fim da viagem está próxima...fdarkeyes
</a>
(mailto:fdarkeyes@sapo.pt)
De Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 15:15
ta giro isto ta ... estou uns dias sem aparecer e ja a princesa anda a enveredar pelos contos secretos heheheehehehehe :s aguardo o desfexo ;)Passo
(http://www.versus.sapo.blogs.pt)
(mailto:Passodianisto@hotmail.com)

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