Segunda-feira, 15 de Maio de 2006

A Escalada...

Hoje, pensei em escrever alguma coisa… Tinha pelo menos três assuntos sobre os quais poderia divagar e que dariam um «post»:

 

1º Dar a conhecer uma associação de solidariedade, um desafio feito pela Paty (este deixo para outro post);

 

2º Dar a conhecer 5 hábitos estranhos, um desafio efectuado pela Aragana. Neste estive a pensar e lembrei-me que estranho, estranho ( e que possa contar aqui) tenho dois. Desde miúda que falo com o espelho, falo de tudo, treino discursos, faço caretas, etc etc e antes de dormir tenho a estranha mania de me «embalar» a esfregar um pé na cama,ou no meu outro pé e/ou eventualmente no pé de quem se deitar comigo;

 

 E por ultimo…

 

3º No passado dia 8 de Maio o meu «blog» fez 1 ano. Pois esqueci-me completamente!!!! Eu sei que não é coisa de «blogueira»… Sou péssima com datas, vou ter que colocar esta data no meu «telélé». No próximo ano não me esqueço de certeza!!!

 

Mas esta tarde mudei de ideias quanto ao tema sobre o qual iria escrever.

Esta tarde estava num jardim, sentada num banco debaixo de uma árvore que não sei o nome, mas que lançava uma espécie de algodão cada vez que soprava o vento.

Tinha na mão um livro e confesso que não podia estar melhor, se excluir está claro um pequeno problemazito é que para além do algodão, eu acho que árvore também cuspia pequenos insectos que se prendiam no meu cabelo!!! Mas adiante que isso era um pormenor que não me estragou a tarde…

Estava «idílicamente» bem! Cada vez mais as coisas simples me dão mais e mais prazer. Nem a frescura da água faltava, para além de estar perto do rio, nas minhas costas havia uma espécie de repuxo de água, que fazia com que a frescura da mesma chegasse até mim.

Estava virada para um parque infantil e de vez em quando olhava para as crianças. Foi quando vi uma menina de 5 anos aproximadamente ou talvez 6. Chamou-me a atenção porque era bonita. Rechonchuda, cabelos loiros entrançados em 2 tranças, uma pele branquinha. A menina como a maioria das outras crianças ria divertida. A mãe estava atrás dela e filmava-a.

Havia um «baloiço» perto de mim, um daqueles em que os degraus são de corda, para as crianças treparem e depois descerem pelo escorrega.

Vi a menina correr para esse escorrega, deu a volta para chegar ás escadas e começou a chamar a mãe para a ajudar…

O pai da menina estava fora do recinto dos baloiços, sentado num banco e acenava para ambas.

A menina continuava a chamar pela mãe, para que ela a ajudasse…

Fixei-me na menina e foi quando levei um murro no «estômago», não tinha reparado e só então julguei perceber porque gritava ela pela mãe insistentemente.

O braço esquerdo dessa menina só chegava até ao cotovelo, acabando num coto.

Confesso que o meu momento idílico desapareceu.

Tive vontade de correr para ajudar a criança a subir.

Olhei para o pai que continuava a sorrir e não se mexia. A mãe continuava por detrás da câmara de filmar…

Depois ouvi a mãe a dizer « -vá anda sobe…», a menina dizia que não conseguia e a mãe continuava a incitá-la «-consegues  sim, vá sobe…».

Eu estava cada vez a ficar com o coração mais apertado. Uma criança tão pequena não conseguia subir aqueles degraus de corda só com uma mão, iria cair!!

Estava pregada àquela cena e com uma vontade imensa de ir lá.

Depois…bom depois, a menina subiu. Trepou com uma mão e com o coto do outro braço mantinha o equilíbrio. Depois teve que rastejar para subir e passar por debaixo de um varão de madeira. E a seguir desceu pelo escorrega.

O pai continuava a sorrir e a mãe como qualquer outra mãe dizia «-bravo…bravo…».

A menina voltou a subir, uma, duas, três vezes… e os pais mantinham um ar de orgulho.

Depois vi-a sair, pegar numa bicicleta e continuar o passeio com os pais.

Fiquei com um sorriso na cara.

E pensei que raio de coisa esta de acharmos que quem é diferente não chega lá!!!

Fiz um desejo naquele banco de jardim. Desejei que o futuro daquela menina fosse cheio de pessoas que não vissem a «diferença» e que apenas a vissem a «ela».

Formulei aquele desejo, porque por momentos tive a certeza de que a menina estava bem ciente do impacto da sua diferença nos outros, quando a vi retrair-se e procurar os olhos da mãe, assim que outras crianças se aproximaram do «baloiço».

 

E (in)felizmente acho que a «escalada» daquela menina ainda nem começou…

 

@a Princesa deseja a todos uma exelente semana

sinto-me: OK
Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 00:47

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26 comentários:
De kuka a 15 de Maio de 2006 às 08:30
Epa!Agora quase fizeste o kuka chorar!
De Coisas Parvas a 15 de Maio de 2006 às 08:58
Sim...somos uma espécie que previligia muito a "normalidade". Fugimos do que é diferente. Às vezes porque nos assusta, outras porque nos irrita, outras apenas porque não a percebemos.
Não ter um braço ou uma perna, ser preto, branco ou amarelo, ter metade do corpo deformado por uma qualquer queimadela em tempos idos! Tudo isso, especialmente numa criança, nos desperta sentimentos semelhantes aos por ti narrados. Atrevo-me a dizer, sem com isto diminuir em nada esses sentimentos, que felizes são os diferentes cuja diferença se nota! Por muito dura que seja a escalada (e, nós, os "iguais" apenas podemos imaginar essa dureza), eles cruzar-se-ão com Princesas e Principes ao longo da vida, que se empenharão em tornar essas diferenças "indiferentes".
E aqueles cuja diferença não se vê por fora? Que só com um esforço acrescido conseguem evidenciar essa diferença? Não são mais nem menos diferentes do que os anteriores. São apenas diferentemente diferentes. Têm o sofrimento acrescido de ter que descobrir a montanha que terá que ser escalada...
Beijos, Princesa.
De MW a 15 de Maio de 2006 às 11:29
Não deixa de ser revelador o facto de, entre os temas que podias ter escolhido, teres escolhido este. Revela muita sensibilidade. É o estar atento aos outros e termos a capacidade de pelo menos tentarmos colocar no lugar deles, nem que seja apenas por breves instantes. Nem todos tem essa capacidade e essa disponibilidade...Revela altruismo. Gostei muito...
De MW a 15 de Maio de 2006 às 14:51
É verdade...esqueci-me de dizer...mas eu tambem tenho esse hábito de me embalar na cama para dormir... Ao que parece são "efeitos do berço", de nos deixarmos dormir a sermos embaladas no berço quando eramos bebés :) Beijinhos para ti
De Lurdes a 15 de Maio de 2006 às 11:49
Antes de mais PARABÉNS a este reino! E apesar do esquecimento, o 1º aniversário é sempre importante.
Relativamente a esta história, é bem verdade que a diferença ainda choca, seja pelo motivo que fôr, mas também acredito que quem lida com ela diariamente vai ganhando "calo".
Esta menina terá concerteza muitas escaladas pra fazer na sua vida, umas serão mais fáceis, outras mais difíceis, mas tem ao seu lado, pelo menos agora, alguém que a ama muito e que tudo faz pra que ela não se sinta diferente!
De helluah a 15 de Maio de 2006 às 12:38
bom.. isto e mesmo de englir em seco.... axo muito bem que os pais ajudem nestas situacoes, pois estar sempre a ajudar so fara com que a crianca nunca desenvolva auto confianca! beijocas reais!
De Paty a.k.a Wildflower a 15 de Maio de 2006 às 16:21
É aqui que questionamos então o que é a normalidade...é saber viver com a diferença :D Sei na pele o que é o peso de olhares mordases e indiscretos, por me distinguir das outras crianças, jovens,etc. Por causa de um promenor de nada (por ser gorduxita e devido ao meu feitio de olhos ser rasgado) passei anos a ouvir bocas estupidas de gente de vistas curtas. Ainda hoje ouço, mas continuo a ser gorduxita e a ter os olhos rasgados :)...ainda não consegui um extreme makeover lololo :D. Foi dificil crescer com esta difierença e nem todos entendem, mas o certo e que hoje apesar de alguma insegurança em mim mesma já sou capaz de cagar nos olhares indiscretos. No meu caso são apenas trocados, coisas minimas, mas é de louvar a atitude dessa mãe que consegue ensinar uma menina tão pequena c uma limitação que a força está dentro dela, e que o mundo apesar de mordaz, terá sempre um lugar para ela :D
Beijos e parabéns pelo post!
De passo a 15 de Maio de 2006 às 17:48
:) temos sempre a "mania" q os deficientes n sao pessoas como as ditas normais, damos mt mais enfase qd os nossos atletas "normais" ganham umas medalhitas nos olimpicos e mt pc importancia qd os nossos parolimpicos vem carregados de medalhas, eles sim sao os verdadeiros herois pois tem sempre duas lutas p vencer, a da hipocrisia e a da sua propria limitacao :)
De MSDOS a 15 de Maio de 2006 às 19:09
Bravo pelo texto. O teu melhor acho! Fiquei sem vontade de dizer disparates, mas não contenho a vontade de dizer grandes pais! Beijinho Princesa!
De Alexandra a 16 de Maio de 2006 às 02:41
Olá Princesa,

bonita aprendizagem que fizeste hoje! Infelizmente para a menina, tens razão, ela está só no inicio da escalada. Ainda muito vai ter que subir para que possa fazer a sua vida o mais normal possível. É que essa nossa forma de ver pela diferença, é bastante persistente, muitas vezes, mm que não se queira. Por essa razão, começei logo de muito cedo a ensinar a minha filha, o melhor que podia, que as pessoas c deficiência são iguais a nós, só com mais algumas dificuldades, mas que superam.

As érvores de que falas devem ser plátanos, uma das principais inimigas das alergias...

Obrigada pela partilha!

Beijossssssssssssssssss
De Fernando a 16 de Maio de 2006 às 11:03
Este é daqueles posts que não se deveriam comentar. Apenas ler e meditar. E ponto final.

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