Segunda-feira, 31 de Outubro de 2005

De um só fôlego...

carros.JPG

Capítulo II

“...Bom como o milho! Haverá elogio mais “excitantemente animal” que um homem possa ouvir de uma mulher bonita, simpática, elegante, madura... antes mesmo de se conhecerem? Não me parece. Mas foi esse o elogio que eu hoje ouvi. Não directamente da boca dessa mulher, que soube, de seguida, chamar-se Ana e viver no apartamento em frente ao meu. Mas da boca da sua filhota (não terá mais que 5 anos), repetindo certamente algo que ouvira da boca de sua mãe... e da boca das crianças vem a verdade! Ponto assente: esta mulher reparou em mim, por bons motivos... E eu, eu já tinha reparado nela antes...e não apenas uma vez. Tinha reparado particularmente no cheiro delicioso que deixava no rasto da sua passagem, no hall da escada, no elevador. Um cheiro a mar, como se estivesse acabada de chegar da praia, que me punha todos os sentidos alerta, e me conduzia aos devaneios mais extraordinários.”

Estes eram os seus pensamentos, mascarados atrás de um sorriso simpático, enquanto, sentado no carro ao lado dessa mesma mulher, observava a sua atrapalhação, denunciada por um ligeiro rubor nas faces e alguma imprecisão de movimentos. Estavam os dois sós.

- Desculpe Ana. Não precisa dar de novo à chave...o motor está a trabalhar – observei, sorrindo, logo após aquele ruído de arranhar típico do motor de arranque quando é indevidamente accionado com o motor do carro já em funcionamento.
- Ai! É que estou cheia de pressa...como disse que se chamava? – fazia-se esquecida, enquanto o rubor das faces aumentava.
- Miguel!
- Hmmm pois...Miguel. É que tenho tido um dia para esquecer. E a procissão ainda vai no adro. Onde quer que o deixe?
- Olhe Ana...vou sem destino especial. Estou no meu dia de folga. Siga o seu caminho, que eu fico em qualquer lado – a voz dele pretendia ser segura, mas começava a sentir certas sensações no estômago...como se estivesse a passar uma lomba na auto-estrada a alta velocidade.
Tinha que se controlar. Afinal...era apenas uma vizinha. Uma vizinha bonita, de acordo...mas apenas isso. Não... era mais do que isso...ela era de facto bonita. Discreta, mas bonita. Aquele narizinho arrebitado denotava determinação e algum atrevimento. Aquele modo de vestir, com um desmazelo estudado, acentuava-lhe as formas suaves. E aquele cheiro a maresia, insólito num dia de chuva como aquele...era desconcertante e desarmava-o. Onde estava a confiança que o caracterizava?

- Muito bem! Vou ali para os lados do Marquês. Dá-lhe jeito?
- Óptimo! Perfeito. E peço-lhe imensa desculpa de abusar desta forma, logo no dia em que nos conhecemos.
- Não tem que pedir desculpa...hmmm...
- Miguel – acrescentou ele de imediato. “Segunda vez em pouco mais de um minuto. Não era esquecimento. Era a tentativa de mostrar indiferença”, pensou ele sorrindo, nervoso, para dentro.
- Sim....Miguel....ai a minha cabeça...estou mesmo stressada.
- Olhe Ana...sei que nos conhecemos em circunstâncias peculiares...talvez embaraçosas para si. Mas não gostaria que isso, de alguma forma, impedisse que fossemos...hmmm...bons vizinhos.

Sentiu-se irritado consigo próprio ao dizer isto. “Bons vizinhos? Mas que raio de coisa para se dizer a uma mulher que cheirava daquela sublime maneira. E, vendo bem... porque raio se tinha ele vestido tão mal hoje? Teria ela reparado no buraco da meia que espreitava fora do sapato, ligeiramente acima do calcanhar? E nos sapatos já um pouco usados de mais? Aiii... não estou bem, não! E desde quando sou homem para me preocupar com estas coisas? Porque estou com estas preocupações?” – os pensamentos corriam-lhe em catadupa, enquanto o carro, pequeno, utilitário, ligeiramente em desordem denotando a presença frequente de crianças, enfim um carro a condizer com ela, rompia o inferno do trânsito molhado.

- Claro que não! – disparou ela, talvez um bocadinho rápida de mais – Sabe como são as crianças. Inventam cada coisa!
- É verdade. Crianças...têm uma imaginação sem limites.

Dissemos mais umas quantas coisas, simpáticas e de ocasião, um ao outro. Tipicamente de “bons vizinhos”. Mas confesso que não sei o quê. Precisava de sair daquele carro para por a cabeça em ordem. Precisava de respirar uma golfada de ar, de apanhar chuva...precisava de retornar para a realidade, de sair daquele sonho inacessível. Tinha sido apanhado num rodopio de emoções que não tinha procurado. Ou tinha?

- Ana...olhe, fico mesmo aqui, por favor! – disse ele, sem olhar sequer para onde estavam.
- Aqui? Mas...Miguel ... – “Olha...afinal sabia o meu nome!!” – estamos em plena 2ª circular...não posso parar!
- Tem razão...Anaaa.....cuidadoooo!!! – teve que efectuar uma travagem brusca, para evitar bater no carro da frente que tinha parado. Derrapou ligeiramente, mas evitou o pior.
- Ai,minha nossa senhora...distraí-me – ela estava nitidamente perturbada e nervosa. Tanto ou mais que ele.
“Tenho mesmo que sair. Se não isto acaba mal!” – pensou – Ana, saio agora, que o trânsito está parado. Obrigado e, mais uma vez, desculpe ter abusado ao pedir boleia!

Saltou do carro, sem sequer ouvir a resposta, e deu uma corrida para a berma. Chovia muito. Soube-lhe bem sentir a água a ensopar-lhe as roupas, a escorrer-lhe costas abaixo, por entre o colarinho da camisa e o pescoço. Olhou para trás...o carro continuava parado na fila...ela olhava-o....sorriram-se! Ele correu, como que fugindo de uma atracção que não sabia como enfrentar, tentando afastar o cheiro a mar que o perseguia e que se tornava mais intenso com a própria chuva.

“Se calhar não devia ter simulado aquela avaria no meu carro!” – pensou – “Tarde de mais. O que está feito está feito. Mas...porque o fez? Foi o meu ego de macho, massajado pelo epíteto de bom como o milho, que me fez querer mais? Confesso que não sei...mas que raio de coisa. Eu sou um homem seguro, não caio nestas fraquezas à primeira vista”.

Encharcado, seguiu a pé, de regresso a casa, na esperança de encontrar um táxi que o reconduzisse ao seu mundo...

(continua)

@ autor: Francisco
Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 15:03

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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2005

De um só fôlego...

chuva1.jpg

«Mistério da Estrada de Sintra

Um certo dia, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão decidiram assustar Lisboa, com a história mirabolante de um assassinato ocorrido na estrada de Sintra.
Tendo como única inspiração a força da imaginação, começaram a escrever. Combinavam, vagamente, na véspera o desenrolar da história e enviavam o original, em forma de carta anónima, para o director do "Diário de Notícias", que a publicava diariamente.
E, de facto, o "mistério" foi lido avidamente e conseguiu preocupar os lisboetas. Houve até leitores que acreditaram nos factos narrados, e mesmo quem tivesse medo de viajar para Sintra, chegando a fazer-se investigações policiais no local.
Tudo se resolveu quando, ao fim de dois meses, os autores se identificaram e explicaram que, afinal, tudo não passava de um belo romance.»

@ontem um amigo relembrou-me este romance e lançou-me um desafio. Vamos fazer uma coisa igual. Aceitei. Por puro divertimento e porque tenho dificuldades em dizer não a desafios. Eu escrevo e envio-lhe um capitulo e ele têm que pegar no que escrevi e escrever um novo capitulo :) Mais do que isto não está definido. Vamos até onde a nossa imaginação nos levar :)

Capitulo I

Estava a apanhar os cacos do chão. Aquela mania que tinha de se perder em pensamentos dava naquilo.
Tinha que se despachar. Tinha um final de dia preenchido, um daqueles dias «filho da mãe e do pai».
Tinha uma reunião na escola dos miúdos, tinha que levar a Maria de 4 anos ao Ballett, depois teria que levar o João de 6 anos á natação.
E mais uma vez teria que os ir buscar. Ainda por cima chovia copiosamente. Tudo a ajudar.
E aqueles pensamentos que não a largavam.
Depois teria ainda que falar com a empregada nova, telefonar á irmã que estava com problemas, ir a casa da mãe que reclamou que há mais de uma semana que não sabia nada dela. Que raio de fim de dia complicado. A questão era como iria conseguir fazer tudo.
Mas porque não deixava ela de pensar naquilo…que nervos.
Para ajudar o Paulo tinha dito que precisava que ela lhe comprasse a gravata que tinha visto no centro. Apeteceu-lhe responder torto. Mas raramente fazia isso. Era uma pessoa dócil. Aliás dócil demais, pelo menos era o que todos diziam.
Sempre fora assim, dócil, serena… Ás vezes tinha a sensação que era alvo de abuso pela maioria das pessoas, por causa daquele feitio.
Aiiii como adoraria ser como a irmã. Segura, frontal, directa e sem papas na língua.
Xiça e continuava a pensar na mesma coisa!!!!
Ainda por cima o que se tinha passado hoje de manhã era demasiado embaraçoso para ela. Mas sem importância.
O que a estava a incomodar era o facto de nem ser propriamente o «embaraço» porque tinha passado, que a fazia pensar e a distraía. Eram sim aqueles olhos doces e meigos, o sorriso divertido e simpático.
Bom tinha mesmo que se despachar.
Tinha que ter cuidado com o que comentava ao pé da Maria. Tinha comentado com a Maria João uma sua amiga em tom de brincadeira que tinha um vizinho novo da frente «bom como o milho». Riram-se e disseram mais umas «brejeirices» de mulheres. Eram amigas de infância, quase irmãs e com ela sentia-se á vontade para fazer aquele tipo de comentários. Mas, a Maria com os seus 4 anos (muito espevitados) estava presente. Ela lembrava-se que brincava com uma boneca, por isso pensou que nem estaria a prestar atenção á conversa.
Hoje de manhã tinha-se encontrado com o vizinho novo, ele educadamente enquanto lhes dava os bons dias abriu a porta do elevador. Agarrou a mãozinha da Maria (o Paulo hoje tinha levado o João ao colégio) e entrou. Há sempre um certo desconforto, quando vamos com alguém no elevador que nos é estranho. Aqueles segundos em que sorrimos, e voltamos a sorrir tornam-se por si só constrangedores. Foi precisamente durante esses segundos constrangedores que a Maria no seu melhor lhe perguntou:

- Mamã, este senhor é o vizinho novo?

Olhou para baixo enquanto mandava um sorriso ao vizinho novo e disse:

- É sim Maria.
- Ahhhhhhh é o senhor «bom como o milho»!!!!

Ia morrendo de vergonha. No meio das gargalhadas do vizinho e de uma rápida reprimenda á Maria, (rápida mesmo, porque o risco de ela comentar qualquer outra coisa da sua conversa com a Maria João era muito grande) o elevador parou.
Quando saíram ele olhou-a e com uns olhos quase tão divertidos, como as gargalhadas que tinha soltado apresentou-se:

- Muito prazer eu sou o Miguel o vizinho novo. Miguel o tal « bom como o milho»…

Apesar de continuar constrangida acabou por se rir e apresentar.
Bolas tinha se perdido novamente naqueles pensamentos. Estava atrasadìssima.
Pegou na mala e nas chaves do carro. Saiu a correr. Voltou a entrar tinha-se esquecido do guarda-chuva e chovia a potes, estava mesmo distraida!!! Quando se voltou deu de caras com o Miguel «bom como o milho» na ombreira da sua porta.

-Olá Ana. Desculpe o incómodo mas seria possível dar-me uma boleia. Não sei que raio se passa com o meu carro mas nem um som faz.

(continua)

@PrincesaVirtual


Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 17:57

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Terça-feira, 25 de Outubro de 2005

O beijo....

beijo.jpg

@ 1..2...3... teste teste ;)

Demorou-se longamente a perscrutar-lhe os olhos. Sentiu aquele frio na barriga, o calor que a invadia.
A ansiedade tomou conta dela, enquanto o via a aproximar-se.
Mesmo sem se tocarem sentiu o doce calor da sua pele.
Os lábios dele pousaram-lhe na face, percorreram-lhe os olhos e desceram languidamente até aos seus lábios.
Apreciou cada segundo daquele toque, do cheiro, do sabor.
Ficou quieta. Deixou-se levar pelos sentidos.
Sentiu os lábios dele mansamente a explorarem os seus. A sua língua insinuadoramente a tecer teias de prazer enquanto lhe entreabria os lábios e atrevidamente brincava com eles. Ela abandonava-se no enredo das emoções.
A espera tornou-se deliciosamente dolorosa.
Deixou de ser ela, fechou os olhos e entregou-se á exploração daquele beijo….
Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 09:58

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Sábado, 22 de Outubro de 2005

Esta coisa das Princesas pensarem.....

frontalidade.jpg

Esta coisa das Princesas pensarem, tem que se lhe diga. Há sempre qualquer coisa que me deixa a pensar.
Acho (e julgo que já li em qualquer lado) que tenho milhares de pensamentos por dia (eu e a maioria dos mortais).
São muitos e não consigo agarrá-los a todos. Mas neste preciso momento agarrei um…
Tem a ver com a «frontalidade».
Pensava eu, como a «frontalidade» é qualquer coisa tão interessante, tão genuína, tão verdadeira, tão forte, tão integra…mas também tão devastadora, tão chocante, tão má.
Confusos???!!!
Vejamos sempre fui uma pessoa frontal por uma questão de feitio.
Não sei a que altura percebi que a frontalidade poderia ser um «pau de dois bicos», mas o que é facto é que Ʌ
Aos vinte anos diria ao meu chefe (no auge de uma discussão) assim que a mostarda me chegasse ao nariz:

- Você é um gradecissimo de um incompetente e filho da mãe!!!

Hoje em dia diria (usando o meu melhor sorriso):

- Julgo que poderemos retomar este assunto depois do almoço ( e sairia a correr para o meu gabinete para fazer alguns exercícios de respiração e relaxamento e se não funcionasse diria umas valente asneiras baixinho) .

A frontalidade é um instrumento valioso mas acredito que nem sempre a deveremos (ou será aconselhável considerando a titulo de exemplo o que dei acima) utilizar em pleno. Nem todas as pessoas estão preparadas para ela e muitas vezes nem nós , porque esta coisa da frontalidade tem retorno. Se em algumas situações será uma mais valia, em outras poderá ser um acto de incompreensão e devastação.

Muitas vezes entre amigos divirto-me com isso. Como se soubesse o que todos pensam e gostariam de dizer e não dizem. Quando acho que não faz mossa eu faço-lhes a vontade.
Oiço-lhes as gargalhadas, ás vezes vejo olhares de constrangimento e outras leio-lhes na cara «meu deus a Princesa é mesmo lixada». Mas quando lhes faço a pergunta se por acaso eles pensam de forma diferente??? Na maioria dos casos chegamos á conclusão, que os sorrisos, as gargalhadas, os abanares de cabeça, apenas reflectem a sua inaptidão de verbalizarem com todas as letras o que lhes vai na alma.

E porquê este pensamento? É porque ando com uma vontade danada de dizer a uma pessoa que é uma Cabra filha da mãe, seca, arrogante e má… mas não lhe posso dizer. Porquê? Bom, apesar de ela o merecer, eu considero-me muito melhor que ela e tenho noção que a iria ferir profundamente. Por isso faço uns exercícios de relaxamento, escrevo no blog e é suficiente.

Um conselho:

USEM E ABUSEM DA FRONTALIDADE mas com bom senso…
Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 22:25

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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005

A entrega dos sonhos...

sonhos.jpg

@ este texto foi escrito por um amigo, com a sua autorização resolvi publica-lo. Porquê?? Porque me parece pertinente...porque detestaria entregar os meus sonhos... e porque acho que a maioria das pessoas o faz ou está diposta a fazê-lo. O titulo também não era este eu alterei-o (com autorização) o titulo original era «Se eu pudesse sonhar» :)))

Pudesse Eu sonhar, e ninguém me apanhava.
Já assim, sem poder sonhar, com os sonhos cortados, com as coisas a correrem como correm e não como eu as sonharia, se Eu as pudesse sonhar… já assim, não percebo porque é que não sou feliz. E é dificil não ser feliz, correndo as coisas como correm! Quanto mais se Eu pudesse sonhar!

Se Eu pudesse sonhar, sonharia uma vida diferente. Mas não me posso queixar da vida que tenho. Mas se Eu pudesse sonhar....

Se Eu pudesse sonhar, sonhava-me uma pessoa diferente. Mas não me posso queixar da pessoa que sou. Geralmente até gostam de mim. Mas se Eu pudesse sonhar...

Se Eu pudesse sonhar...nem sei bem o que sonharia!!
Por isso, ainda bem que não posso sonhar. Poderia deitar a perder tudo aquilo que não me fazendo feliz, permite que outros possam sonhar!
Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 17:30

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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2005

A mulher do metro de Picoas....

Metro_Picoas.jpg

Todos os dias lá estava. Sempre que iniciava a subida daqueles degraus os seus olhos não deixavam de a fixar.
Depois quando se aproximava fazia como as outras pessoas, passava ao lado como se a mulher não existisse.
Mas sentia aquele sentimento de «vergonha» colectiva, por ela também fazer parte daquela multidão de gente insensível.
Quase todas as manhãs espiava os olhos tristes daquela mulher, o lenço na cabeça, o casaco de malha creme (quer fizesse calor ou frio), a mão estendida com um copo de plástico e umas parcas moedas lá dentro (que ela desconfiava que era a própria mulher que lá as colocava, para que fosse o móbil da vergonha de todas as pessoas que não paravam).
Quantas vezes depois de chegar ao escritório, não lhe vinham à memória a «senhora do metro de Picoas». Qual seria a sua história??? Que histórias contariam aqueles olhos tão tristes?
Interrogou-se sobre o que a teria feito reparar na «mulher do metro de Picoas», talvez fosse o casaco creme que ela usava e que teimava em apertá-lo na gola (quer fizesse frio ou calor), como se fosse uma protecção, ou o seu lençol da vergonha.
Ou os olhos.
Imaginou mil histórias para a« mulher do metro de Picoas». Histórias que justificassem o seu olhar triste. Sozinha no mundo, filhos lá longe em França, um marido alcoólico, os filhos que se metiam na droga.
Talvez uma tragédia familiar.
Amanhã…amanhã iria se sentar no degrau junto á «mulher do metro de Picoas». Iria colocar uma nota no copo de plástico. E iria saber a sua história.
Amanhã…
Quando chegou o amanhã, subiu as escadas do metro de Picoas, viu a «mulher», o casaco creme, a mão estendida com o copo, a mão que apertava o casaco no pescoço e o olhar triste…
Mas estava com pressa, lembrou-se que tinha uma «reunião» interna, mais uma com um cliente fora do escritório e na hora do almoço tinha a depilação, a tarde também era curta…. Voltou a cabeça para o outro lado e aproveitou a multidão para se perder novamente na «vergonha» colectiva de «que quem não vê não sente»……

@ Gostaria de vos dizer que esta senhora existe, se passarem pelo Metro de Picoas, ela está lá sentada num degrau, com o seu casaco, o seu copo e aquele olhar infindávelmente triste e de animal acoçado...
Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 01:30

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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2005

Eu ainda tenho muito que apreender...

dead.jpg

Sim tenho imensas coisas para apreender... hoje deixo-vos com o William (novamente não me apetece muito escrever, estou estoirada...um bom fim de semana para todos :) )

Eu aprendi...
...que ter uma criança adormecida nos braços
é um dos momentos mais pacíficos do mundo;

Eu aprendi
...que ser gentil é mais importante do que estar certo;

Eu aprendi...
...que algumas vezes tudo o que precisamos é de uma mão para
segurar e um coração para nos entender;

Eu aprendi...
...que são os pequenos acontecimentos diários que tornam a vida espectacular;


Eu aprendi...
...que ignorar os factos não os altera;


Eu aprendi...
...que é o amor, e não o tempo, que cura todas as feridas;

Eu aprendi...
...que ninguém é perfeito até que se apaixone por essa pessoa;

Eu aprendi...
...que a vida é dura, mas eu sou mais ainda;

Eu aprendi...
...que as oportunidades nunca são perdidas;
alguém vai aproveitar as que você perdeu.

Eu aprendi...
...que quando o ancoradouro se torna amargo
a felicidade vai aportar em outro lugar;


Eu aprendi...
...que não posso escolher como me sinto,
mas posso escolher o que fazer a esse respeito;

Eu aprendi...
...que todos querem viver no topo da montanha,
mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você a está escalando

Eu aprendi...
...que só se deve dar conselho em duas ocasiões:
quando é pedido ou quando é caso de vida ou morte;

Eu aprendi...
...que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.



William Shaskeapeare
Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 18:45

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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2005

A Princesa Virtual cognome - a feminista!!!!!!!

princesa1.jpg

Vejo-me obrigada a escrever este post. Tudo começou por várias vezes me interpelarem com a pergunta «-Princesa o teu blog é feminista???».
Ou então afirmam-no mesmo.
O meu blog não é feminista!!!!
O meu blog é…porreiro olhem é o que é !
Feminismo, no meu ponto de vista é um «extremismo» e como tal abomino-o.
Mas óbvio que neste caso não bastam só as palavras, para vos provar isso.
Alguém um dia disse « que quem se consegue rir de si próprio, denota inteligência». Muitas vezes revejo-me em muitas caricaturas femininas que leio (exageradas é um facto) e divirto-me.
Hoje (espantem-se «alminhas») vou escrever sobre os homens.
Os homens da minha vida (só posso falar da minha experiência).
SIM espantem-se….registem o momento. HOJE vou enumerar algumas qualidades dos homens!!!
Aqueles que passaram bem pelo centro do meu «circulo». O meu círculo é zona onde tenho o meu trono, onde me sento confortavelmente…
Só tenho bem a dizer desses homens.
Resolvi enumerar as principais coisas boas que me fazem sentir ou fizeram:

• Amigos
• Companheiros
• Os meus pilares
• As minhas razões de viver
• Os meus sonhos
• A minha segurança
• O meu Eu
• O meu futuro
• A fonte do meu amor
• Os meus carinhos
• A minha partilha
• O meu coração
• Sexo
• Alegria

Apreendi há algum tempo que tenho que os aceitar tal como são. Algumas coisas mudam-se outras nem por isso.
A questão aqui é colocar as boas e más na balança.
Tipo será que a roupa no chão, o facto de não se lembrarem de datas que são cruciais para nós, o facto de não baixarem a tampa da sanita, de colocarem as suas prioridades em detrimentos das nossas…. Pesa mais que uma boa noite de sexo??? Ups queria dizer, que as qualidades que enumerei em cima???
Não…claro que não.

Julgo que agora estou ilibada do cognome de «Princesa a Feminista».

Ps para ser sincera não me vi obrigada a escrever isto...digamos que quis escrever :)
Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 15:50

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Sexta-feira, 7 de Outubro de 2005

Este é o poema do amor....

amori.jpg

@ deixo-vos com um poema de António Gedeão, palavras para que???. Hoje apetece-me mais ler do que escrever...

O poema que o poeta propositadamente escreveu
só para falar de amor,
de amor,
de amor,
de amor,
para repetir muitas vezes amor,
amor,
amor,
amor.
Para que um dia, quando o Cérebro Electrónico
contar as palavras que o poeta escreveu,
tantos que,
tantos se,
tantos lhe,
tantos tu,
tantos ela,
tantos eu,
conclua que a palavra que o poeta mais vezes escreveu
foi amor,
amor,
amor.
Este é o poema do amor


Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 17:51

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Segunda-feira, 3 de Outubro de 2005

Zangas femininas...

zangas.jpg


Visito vários blogs. Muitos deles de Homens. E depois de ter lido alguns «posts» publicados nesses blogs, resolvi que urgia escrever algo sobre.
O «sobre» tem tudo a ver com o desconhecimento geral que para aí anda sobre as mulheres.
Vejamos, muito se fala sobre as famosas zangas das mulheres e sobre a sua inaptidão de conseguirem ultrapassar as «mesmas» quando a noite chega. O mesmo será dizer que enquanto para os homens os problemas se resolvem no «vale dos lençóis», parece que no caso das mulheres o mesmo não se aplica. Falam muitas vezes os meus amigos bloguistas em «greves», «jejuns», «fome»… Um castigo injusto, cruel, egoísta (subentende-se muitas vezes nas palavras que escrevem no papel).
Bom, como a maioria deles me parecem bons rapazes, vou assumir aqui um papel de «serviço publico» e passo a dar umas dicas sobre o que nunca, mas nunca, deverão fazer e por outro lado sobre o que poderão fazer para amenizar as zangas.

O que nunca deverão fazer ou perguntar após uma zanga:

- Olha lá sabes onde estão as minhas calças e o meu pólo azul??? ( o mais certo é a roupa voar pela janela, ou eventualmente perceberem como as asneiras na boca da namorada/esposa/ou a outra lhe fica tão bem);

- Achas que há motivos para estares assim??? (é claro que há motivo e caros «amigos», esta pergunta fará com que o jejum se prolongue por mais uns dias, por favor notem como a expressão facial da vossa «mais que tudo» se altera, conseguirão perceber um «olhar assassino» se prestarem atenção);

- Não achas que me deverias pedir desculpas?? (querem morrer cedo??? Pois não me parece!!!)

-O que é o jantar??? ( ai ai agora sim perderam o «sentido do perigo», mesmo que o jantar esteja ao lume o mais provável é que se queime. Fiquem em silêncio ou no máximo dos máximos ofereçam-se para o irem buscar. Aconselho vivamente que não se aproximem da cozinha se mesmo assim quiserem colocar a questão, não vá alguma «arma» ser lançada com precisão e mestria);

- Vamos fazer as pazes??? – pergunta feita a meio da tarde ( o quê??? Sem espiarem os vossos pecados!!! Sem assumirem que estavam errados – Esqueçam, nunca a vão conseguir demover…);

- Vamos fazer as pazes??? – pergunta feita depois do jantar (idem aspas o que acima escrevi e completado com um olhar furioso);

- Vamos fazer as pazes??? – pergunta feita na cama antes de apagarem as luzes (aconselho vivamente que entre os dois exista um espaço de metro e meio, caso contrário depois de ouvirem alguns impropérios «cavernosos», poderão ainda ser convidados a mudarem-se para o esplêndido sofá que tem na sala).

Aproveitem para dormirem e pensarem numa boa estratégia para o dia seguinte.

Estes são alguns exemplos de questões típicas (ou atípicas), deverão aplicar estas a todas as outras que pretendam colocar.




O que deverão fazer após uma zanga :

- nunca mas nunca colocar qualquer uma das questões acima;

- nunca mas nunca deixar transparecer que esperam que a reconciliação se faça na «alcova», se tiver que acontecer por favor que seja de uma forma natural (pelo menos deixem que ela pense assim). Caso contrário serão apelidados de egocêntricos, egoístas, … and so on;

- não comprem flores, deixem isso para quando ela tiver mais calma e já agora comprem um anel, uma pulseira um fio . Fica sempre bem;

-ofereçam-se para fazer as tarefas domésticas ( o esforço vai valer a pena, será visto como uma forma de se redimirem);

- nem pensem nesse dia ver a bola em detrimento da 1ª Companhia ou telenovela e em vez de saírem a resmungar da sala, fiquem ao lado delas a ver a mesma com um sorriso nos lábios (acreditem que valerá o esforço). Também poderão ter a sorte de elas apreciem o people & arts ou o canal da história (ai o esforço será menor julgo eu);

- por favor não se esqueçam de colocar a roupa na tulha (este assunto já foi abordado por mim em post anterior), nada de cuequinhas no chão;

Se seguirem estas dicas garanto-vos que eventualmente ao fim de um dia elas estarão rendidas ao «novo homem» que tem em casa e eventualmente ela assumirá a «pequena parte da sua culpa» na zanga.

Ahhhhh já agora tentem continuar assim durante 1 mês, quem sabe não serão premiados com umas fabulosas e escaldantes noites de «harmonia conjugal»
Decreto-Lei decretado por PrincesaVirtual às 11:55

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.Levem a Princesa (salvo seja) - o seu selo...

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